top of page

Uma cria da canção brasileira

O compositor Zé Modesto tem 50 anos, é violonista e estudioso da canção brasileira. Historiador pela Universidade de São Paulo uniu a formação acadêmica ao seu apreço pela MPB e concebeu o curso “Nosso século, nossa canção – a República brasileira aos sons da música popular” levando-o para escolas e bibliotecas da cidade de São Paulo.

 

Simplicidade é o que persegue na arte. Dessa busca vem o gosto pelos cantos de trabalho, benditos, ladainhas, congadas, folias e outros tantos. Daí também a influência de artistas como Adélia Prado, Guimarães Rosa e Milton Nascimento, esteios do universo mineiro, principal manancial de sua criação, que mistura com os sambas das antigas e as tonalidades urbanas indissociáveis em sua alma paulistana.

A ALMA DE ZÉ MODESTO

ESTEIO

2004

Primeiro disco, com composições próprias

e parcerias com o ator e diretor de teatro Gero Camilo e

o poeta nicaraguense Ernesto Cardenal (Estrelas),

nas vozes de Ceumar (Diadorando), Renato Braz (Deserto),

Rubi (Camisa Vermelha), Kléber Albuquerque (500 réis de estrelas),

Marcelo Pretto (O anel do cirandeiro), entre outros.

Este trabalho contou com arranjos de Chico Saraiva, Euclides Marques,

Webster Santos, Sociedade do Choro e Jardel Caetano.

Ao lado de músicos como Priscila Brigante e Cássia Maria (percussão),

Itamar Pereira (contrabaixo), Síntia Piscin (sopros) e

Jardel Caetano (violões) realizou shows, saraus e apresentações

em bibliotecas e livrarias, nos SESCs Pinheiros e São Carlos,

Teatro Santa Cruz e Teatro Crowne Plaza.

Deserto

Zé Modesto


"(...) Rasga o vão do chão que o norteio é paciência, solidão
Logo chegarão bons ventos e esse tempo de lamentos mirrará de inanição

 

Se sentires dura a pena nesse curso em seu deserto
E entenderes dor tamanha, for demais pra o suplicante mergulhar em seu desvão

 

Se secar sua moringa em terra em que nada vinga, carregues teu violão"

Arquivo%20Escaneado_edited.jpg

XILÓ

2008

'Xiló', uma reverência à madeira como matéria sonora e poética, percorrendo novas paisagens sonoras, além das já apresentadas em seu primeiro álbum, Esteio(2004).

Elementos do primeiro trabalho reaparecem em Xiló, como a preferência pelos ritmos brasileiros de origem popular e a poética religiosa permeando certas canções.

A novidade fica por conta do conceito estético mais enxuto e cru. Xiló evidencia os instrumentos acústicos, explorando as veias sonoras da madeira em sua amplitude e singularidade.

De origem grega, xilo significa madeira, matéria.

Zé Modesto funde estas ideias ao reverenciar a madeira como matéria sonora e poética, buscando a essência do som e das palavras em movimentos que vão do recolhimento silencioso diante dos mistérios da vida à expansão intensa do grito tribal.

XILÓ

As canções ...

Ao folhear o encarte, encontra-se a reverberação do conceito Xiló 

nas fotografias de Edward Zvingila.

A obra fotografada é do artista argentino Carlos Bruna,

que gentilmente cedeu ao compositor seus calados, 

verdadeiros bordados em madeira.

O repertório de Xiló alterna momentos distintos. O primeiro deles é uma clara homenagem à cultura popular brasileira por meio dos ritmos da congada, folia de reis, maracatu e ijexá, representados pelas quatro primeiras canções do álbum: Esteira”, “Meio Mistério”, “Antífona” e “O que há”. O segundo, marcado por introspecção e recolhimento, é um convite ao silêncio e à escuta reflexiva, com as canções Leitura”, “Desvãos”, “Sobrevidas” e a instrumental “Para o Ernesto”.

Em seguida, um momento festeiro, com os ritmos típicos das celebrações populares, como o boi do Maranhão, em “Bedô”, e o samba “Pirapora”, um tributo à Festa de Bom Jesus de Pirapora, no interior paulista. Para encerrar, uma convocação esperançosa à coletividade, representada no galope “Simbora” e na canção “Tribo”.

xilo%20capa_edited.jpg
arvore%204_edited.jpg
xilo%202_edited.jpg
arvore 5.jpeg
arvore%20-%20xilo%203_edited.jpg
xilo%20capa_edited.jpg
arvore xilo.jpeg

AO PÉ DO OUVIDO

A sutileza musical de Zé Modesto, por Aquiles do grupo MPB-4

O compositor e violonista paulistano Zé Modesto lançou Ao Pé do Ouvido (independente), seu terceiro CD. O repertório, dividido em catorze faixas, tem dezesseis canções – dez só dele e seis com parceiros diversos – e três vinhetas, duas de Zé Modesto e uma de domínio público. 

ZÉ MODESTO GRAVA
COM UM TIME DE MÚSICOS
DE PRIMEIRA LINHA

ao%20pe%20do%20ouvido%201_edited.jpg

Para gravar, ele concebeu e dirigiu todo o trabalho artístico, que incluiu convidar para participar da festa, dentre outros, Mônica Salmaso (ela não canta, flutua branda e docemente por entre as palavras); Rubi (desde sempre seu timbre de voz me cativou); Sérgio Santos (êta mineirinho que canta bem, sô); Toninho Ferragutti (sua sanfona tem personalidade, daí sua força); Ivan Vilela (violeiro porreta, inventor de causos e cantador de moda); Teco Cardoso (flautas supimpas); Nailor Proveta (o sopro de seu sax é garantia de bom som) e Talita del Collado (eu já conhecia sua bela e delicada voz desde Xiló, o segundo trabalho de Zé Modesto).

ZÉ MODESTO - DO BRASIL PROFUNDO DAS CAIXEIRAS DA CASA FANTI ASHANTI À ELEGÂNCIA DOS ARRANJOS DE EDSON ALVES

ao%20pe%20do%20ouvido%204_edited.jpg

Tudo nas orquestrações é sutileza, nada é excessivo: Webster Santos criou o arranjo de “Canavial”, de Zé Modesto, com destaque para a sanfona de Toninho Ferraguti e cantado lindamente por Rubi. Ivan Vilela arranjou “De Vera” (ZM), que tem um belo duo da sua viola com a viola de arco de Fábio Tagliaferri. Zé Modesto, Mário Gil e as Caixeiras do Divino da Família Menezes criaram um lindo arranjo para duas músicas ligadas, “Catarina”, de Gero Camilo, e “Bença Mãe”, de Zé Modesto – interpretadas pelas vozes diferençadas das Caixeiras, é um dos mais belos momentos do CD.

ZÉ MODESTO - HOMEM DAS PALAVRAS, GARANTE A MESMA VEIA POÉTICA DE ESTEIO E XILÓ

ao%2520pe%2520do%2520ouvido%25202_edited_edited.jpg

Em Ao Pé do Ouvido, tal como em Xiló, os versos transam com as melodias e com os ritmos, parindo um som impregnado de simplicidade nas canções e arranjos intensamente brasileiros.

 

É um álbum que gira leve, como leve são as cantorias ao pé do fogão a lenha, quando os causos e as modas fluem entre um trago e outro.

 

Outra qualidade do disco anterior, repetida neste de agora, é o encadeamento bem elaborado do repertório.

AO PÉ DO OUVIDO
UM SILÊNCIO NECESSÁRIO

"Ao Pé do Ouvido é muito bem cuidado. E introspectivo, pois que Zé Modesto dá um belo jeito de nos apresentar a brasilidade. CD banhado em sentimentos intensos, ele chega para se tornar referência de uma música que tanto vem do sertão quanto da cidade, que tanto é forte como é singela; tanto é do povo, de todos nós, quanto é do mais solitário dos indivíduos que habitam nas cidades.

Em 2009 encerrei o meu comentário sobre Xiló enaltecendo sua graça. Apenas trocando os títulos, transcrevo-o: “Como a vela que carrega o barco e a brisa que vem e leva tudo ao mar e ao ar, Ao Pé do Ouvido embrenha-se pelo fundo e pela superfície. E o canto e a canção não se fazem de rogados, vão.”

Canções de Ao pé do ouvido ...

©2020 por Zé Modesto - Violinha Produções Artísticas Iltda.

bottom of page